Alice Femi, andando por aí…

Posted on 21 de março de 2013 by juluc7 in Contos

Meu primeiro emprego (o segundo, na verdade.)
São Paulo, 20 de Maio de 2004

Assim que vim morar nesta cidade, imediatamente dediquei enorme parte do meu tempo à leitura. Cinema também. Um pouco de moda. Sociologia me interessou. Não, grande parte mesmo, a maior parte, foi para leitura. Mas é muito mais demorado agora. Acho que estou ficando velha (finalmente). Não leio mais tão rápido quanto antes.

Creio eu que foi após minha última compra naquela livraria imensa alí no meio da Av. Paulista (que nome egocêntrico para uma avenida paulista, não?) que eu fui abordada pelo gerente local. Na verdade eu achei na hora que ele só queria me enamorar, mas permiti que ele terminasse seu cortejo moderno, sendo surpreendida ao final dos elogios por uma proposta de emprego. Eu vejo você aqui toda semana, já faz 3 meses. Se você gosta tanto de livros, por quê não vem trabalhar para a gente? Eu torci os lábios. Não era uma péssima idéia. Eu realmente gosto de livros. E ao contrário do que eu imaginava, arrumar um emprego interessante é bem complicado. Como pouquíssimas pessoas sabem, meu primeiro trabalho me foi oferecido e não conquistado. Acho que foi por isso que desta vez eu me senti melhor. Não tive que “brigar pela vaga” como costumam dizer. Mais uma vez me oferecem algo que me interessa. Muito bem, onde eu assino? Respondi delicada.

Assim que saí de lá (com mais dois livros debaixo do braço), fui para casa. Aliás, gostaria de questionar por quê as pessoas acham tão estranho uma mulher descalça? Sapatos não são para proteger o pé? Ou seja, em caminhadas curtas (como da minha casa até a livraria) por quê raios as pessoas torcem o olho para mim quando percebem que eu estou de pés no chão? Eu gosto da sensação. Principalmente pois… droga, me desviei do que eu estava falando. Onde eu estava? Ah! Sim…

Cheguei em casa e vasculhei numa gaveta onde eu costumava colocar tudo que eu recebia. Hoje sou mais organizada. Mas naquele dia demorei uns vinte minutos para achar um cartão com o nome Isabel Perloni. Resolvi ligar para ela e contar que tinha arrumado um emprego. Foi um dos principais momentos da minha vida. Ou melhor, da minha existência. Ou segunda vida. Vocês entenderam.

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