Porfavormeame.com

Posted on 8 de março de 2014 by juluc7 in Sem categoria

Um dia me disseram que somente as pessoas desesperadas se cadastram em sites de relacionamento. Numa outra ocasião, um amigo disse que era o lugar perfeito para conhecer mulheres, sem frescura e sem enrolação. Bom, ele já não transava há onze meses, então preferi acreditar na primeira teoria.

Depois do meu último relacionamento, por coincidência, azar, destino, maturidade ou mesmo chatice minha, não conheci mais ninguém que me interessasse de verdade. Uma mulher que fosse inteligente, divertida, carinhosa, sem mimimi, espontânea e sorridente. Todas elas tinham algo que realmente me deixava desconfortável ou me entediava depois de alguns dias. Ok, mentira, até conheci umas duas pessoas que me interessaram, mas elas não estavam interessadas em mim, daí dá na mesma. Isso faz quase cinco anos. Então, me aproximando do meu quinto aniversário de solteiro, analisei a situação friamente e decidi que eu me enquadro no perfil “desesperado” e me cadastrei em dois sites de relacionamento. Após três meses de uso, cancelei minha assinatura em ambos.

Esses sites não são para pessoas desesperadas. É pior que isso. Salvos raros casos, são pessoas que não têm a menor idéia do que é um relacionamento. São pessoas que, por mais que a sociedade diga o contrário, acreditam na magia cinematográfica do par perfeito, da alma gêmea, do príncipe encantado. Deixe-me clarificar com exemplos. Na questão “O que você mais ama?” algumas respostas me fizeram lívido. “Meus cabelos.” Sim, o que ela mais ama no mundo são seus próprios cabelos. Como eu, mortal e humano, poderia competir com tantos cabelos? Os cabelos dela devem ser super simpáticos e certamente uma companhia agradabilíssima. Sansão não competiria com ela. Passei. Outra respondeu: “Minha filha canina.” Achei bem sobrenatural uma mulher de 32 anos ter uma filha lobisomem. Não, espere, pode ser somente uma cadelinha que é o que ela mais ama no mundo. Eu também tenho cachorro (Petonho). Adoro o bichinho de paixão, mas certamente não é a coisa que eu mais amo no mundo. Acho preocupante uma pessoa amar um bichinho mais do que a própria mãe por exemplo. Próxima resposta: “Sexo e Beijo na Boca.” Bacana, vou escrever para essa, mais superficial que piso de fórmica, mas sincera.

Dentre o tópico “Coisas que eu não consigo viver sem:” encontrei então uma enxurrada de incoerências. “Meus avós, meu cachorro e deus.” Bom, linda, seus avós e seu cachorro vão durar pouco nesse mundo, considerando que a morte é parte do ciclo da vida. Então quando seus avós e/ou seu cachorro se encontrarem com Deus, como você não consegue viver sem eles você vai junto? “Não poder ter opinião própria.” Porra, como assim? Você não consegue viver sem não poder ter opinião própria??? Ou seja, a dupla negativa infere que você adora ser uma pau-mandada. Ou gueixa! (checa as fotos e repara que ela é japonesa mesmo) Agora tudo faz sentido. “Celular, carro, dinheiro, casa, internet.” Opa, sinceridade de novo, vou escrever pra ela.

Chegamos em “Como os meus amigos me vêem:” e a sinceridade desabrocha como uma caixa de papelão na chuva. “Engraçada, extrovertida, um pouco mentirosa”. Fióta!!!! Com 36 anos na cara você afirma que mente na vida real e no perfil você põe a verdade!? É ao contrário que as pessoas fazem na internet!! “Morena”. Não estou brincando, ela escreveu realmente “Morena”. Que bom que seus amigos a descrevem assim. Como é a sua amiga? Morena. Mas como ela se comporta? Morena. Ela é gente boa? Não, é morena. Uau. “Como alguém que ama os animais mais do que si mesma” De novo os animais. Bom, faz sentido, afinal geralmente mulheres com esse grau de eloquência sentimental compram bichos e investem neles todo o amor concentrado no mundinho de fantasia que existe dentro delas, até mesmo mais do que si próprias. “Não tenho amigos.” Nossa, que poço sem fim de depressão e tristeza. Não tem nem um tamagochi. Deve ser o perfil mais limpo do Facebook. Não vou escrever, mas vou dar add por piedade.

Sendo assim, depois de chafurdar na internet do amor por tês meses completos, percebi que ainda não estou no mesmo nível de desespero. Eu ainda tenho MILHAS de distância do patamar de “Alguém me ama pelo amor de Deus!!” que se propaga como um vírus agressivo nas milhares de páginas online. A internet não é uma caixa mágica que vai lhe poupar dos momentos awkward de conhecer alguém e garanto que o mundo lá fora de bares e baladas e festas é tão ruim quanto, mas eu ainda tenho fé que um dia eu irei encontrar a mulher imperfeita, por horas chata, por outras mal humorada, que me faça sorrir a toa. Até lá, continuarei saindo com aquelas pelas quais não me apaixonei, mas que sabem como me fazer sorrir de propósito.

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